Quem foi São Nicolau?
Desvendando a história por trás da tenda do Papai Noel
Todo mundo reconhece o bom velhinho: cara de bonzinho, barba branca, roupa vermelha e dono de um trenó mágico. O Papai Noel é, sem sombra de dúvidas, uma das figuras mais conhecidas no mundo todo. É só o fim de Novembro chegar e ele aparece! Ele é o símbolo máximo da generosidade e da magia natalina. No entanto, por trás dessa figura folclórica (e comercial), existe um personagem histórico real, que viveu há quase dois mil anos e cujos atos de bondade deram origem a essa lenda global. Vamos conhecer um pouco mais sobre essa história?
Uma breve história de São Nicolau
Nicolau de Mira era um bispo cristão que viveu no século IV (entre 270 d.C. e 343 d.C.) na região que hoje é a Turquia. São Nicolau era conhecido por sua imensa generosidade e por realizar atos de caridade de forma anônima, especialmente ajudando os pobres e necessitados. A história mais famosa ligada a ele envolve a ajuda a um pai que estava em desespero por não ter dotes para casar suas três filhas. Para evitar que as jovens fossem obrigadas a uma vida de miséria, Nicolau jogou sacos de ouro pela chaminé da casa, que caíram nas meias que estavam secando perto da lareira.
Essa e outras histórias de bondade fizeram com que, após sua morte, ele fosse canonizado e se tornasse o santo padroeiro das crianças, dos marinheiros e dos pobres. Por séculos, em muitos países europeus, a celebração de São Nicolau era realizada no dia 6 de dezembro, na qual as crianças recebiam presentes em sua homenagem.
Como ele inspirou a figura do Papai Noel que conhecemos hoje?
A transição do bispo São Nicolau para o risonho Papai Noel (ou Santa Claus, nos EUA) é um fascinante processo de transformação cultural que ocorreu ao longo de séculos, especialmente após a migração para a América.
Podemos dizer que tudo começou com a Imigração Holandesa no século XVII. Imigrantes holandeses levaram para Nova York (então Nova Amsterdã) a tradição de Sinterklaas (nome holandês de São Nicolau). Com o tempo, Sinterklaas se adaptou ao inglês e se tornou Santa Claus.
Já no século XIX, a escrita passou a influenciar essa jornada de São Nicolau para Papai Noel. Escritores americanos popularizaram a imagem mágica. Em 1823, o poema "Uma Visita de São Nicolau" (atribuído a Clement Clarke Moore) introduziu elementos cruciais: o trenó, as renas e a descida pela chaminé, consolidando a figura do Papai Noel como um ser mágico da véspera de Natal.
Por fim, o cartunista Thomas Nast, no final do século XIX, foi o responsável por dar ao Papai Noel a imagem de um senhor rechonchudo, com barba e morador do Polo Norte, solidificando o visual cheio de magia que adoramos. Podemos perceber como a figura do Papai Noel que conhecemos hoje foi construída pouco a pouco, com diversas influências ao longo do tempo.
O que a Coca-Cola tem a ver com isso?
Um dos mitos mais persistentes é o de que a Coca-Cola "inventou" o Papai Noel com sua roupa vermelha e branca. A verdade é mais complexa:
- A cor vermelha já existia: Antes da Coca-Cola, a figura do Papai Noel já aparecia em ilustrações com diversas cores de roupa (azul, verde e, sim, o vermelho, que é a cor tradicional das vestes de um bispo, como São Nicolau).
- A consolidação do visual: A partir de 1931, a Coca-Cola contratou o ilustrador Haddon Sundblom para criar novas imagens de Papai Noel para suas campanhas de Natal. Sundblom, inspirado no poema de Moore, desenhou um Papai Noel ainda mais humano, alegre e com as bochechas rosadas.
- O poder da propaganda: As campanhas da Coca-Cola fizeram um uso massivo e mundial dessas ilustrações por décadas. Assim, o visual que já existia (um senhor gordo, alegre e de vermelho e branco) foi padronizado e fixado no imaginário popular globalmente através do enorme alcance da marca.
A figura do Papai Noel é a união perfeita entre uma história real de bondade (São Nicolau), a adaptação de costumes de imigrantes na América e a influência da cultura pop e da publicidade. Conhecer essa história nos lembra que a essência do Natal não está apenas nos presentes, mas na generosidade e na alegria de dar, assim como fazia o bispo Nicolau há séculos.
Referências:
https://www.instagram.com/reel/DR2wdU9kcOk/